São Paulo, SP, Brazil
Mãe, filha, irmã, amiga, atriz. Escrevo meus pensamentos, minhas angustias, meus encantos e desencantos. Interpreto pessoas, formas, vida. Leio de pouco um tudo e decoro textos, rostos, amores. Viajo distante pra dentro e fora de mim. Meu senso de justiça não permite que eu seja boazinha, mas também não sou má. Acredito sempre que existe recuperação em seres realmente humanos. Apaixono e desapaixono com facilidade, mas amo incondicionalmente. Acredito em fantasias, fadas e tudo que possa fazer bem para a alma, mas elevo meus pensamentos, agradecimentos e desejos a Deus. Cristiane Rosa (A Puguinha)

Publicações

sexta-feira, 1 de abril de 2011

IGUAL À VOCÊ

Dedico esse poema em especial ao Bolsonaro

Eu não posso ser negra
Nem baixa, nem gorda e nem alta
Meu cabelo é feio porque é duro
Não posso ter cabelo liso porque fica ralo
Não posso ser gay
Nem mãe solteira
Nem filho sem pai
Não posso não ter um dedo ou uma perna
Nem fazer mímicas porque não pronuncio nem ouço palavras
Não posso dirigir caminhão porque sou mulher
Nem fazer ballet porque não sou mulher
Não posso me prostituir
Não posso usar óculos porque não tenho orelhas
nem ler um livro porque meus dedos não tocam suas letras
Não posso me deprimir
Nem ser muito feliz
Não posso não saber ler, mesmo tendo um coração grande
E não posso ter um coração grande porque não tenho dinheiro para agradar
Não posso gastar demais porque tem gente que não pode escolher o que comer
Não posso ouvir música de preto porque sou branca
E nem posso ser diretora porque sou preta
Não posso não ter bunda grande
E nos meus seios não podem faltar silicone
Não posso fingir que não escuto porque minhas orelhas são grandes demais
Não posso ser modelo porque não sou anorexa
Não posso beber nem fumar porque faz mal ou é errado
E não posso errar porque não sou humano
Não posso ser humano porque ninguém me aceita do jeito que sou

Eu queria ser como você que deve ser igual a alguém que deve ser diferente de mim.

Cristiane Rosa

MAIS RUÍDOS

Esse ruído que invade rasga!
percorre minha pele arranhando meus instintos
O ruído que rói
Destrói meus sonhos e inibe meus desejos
Chega ser ensurdecedor
mas ninguém enxerga
ele ta em mim
e é pra mim
Esse rído em ganhei de presente no dia do eu 26º aniversário e após 30 anos sendo consumida por este ruído eu me libertei, me encaixotei e eles finalmente silenciaram.

Cristiane Rosa - Texto para o Grupo de Teatro Ruídos

Hora do Planeta 2011 - III

Você já pegou uma fumaça?
Já tentou pará-la
e a chama quente
Já a enfrentou?
Já a menosprezou só porque na vela ela era pequena?
Ja tentou ficar quieta sem ter sono?
Ja tentou fechar os olhos sem vontade?
e esvaziar a mente?
não pensar em nada e se encontrar?
Já tentou?
Já pensou?

Cristiane Rosa

Hora do Planeta 2011 - II

Eu aqui nesse fiasco de luz
me atrevi a pensar, agir e amar
amar algo infinitamente maior que tudo
sentada nesse sol quente
em frente ao espelho onde não me vejo
bebendo algo que não percebo
sentindo o cheiro da energia e purificação
os anjos dormem
ela se queima
na estação a música preto, interpretada por brancos e ouvida por qualquer cor
a sala está vazia
ta escuro
não tem silêncio
e eu aqui
aqui

Cristiane Rosa

Hora do Planeta 2011

Estou conectada com alguém lá longe
Com alguém como eu
Um fiasco de luz mais quente, mais amarela, um teco de azul
Estou conectada comigo mesma
Me invadi
Me permiti
Me apeguei em mim
Solidão aquece, entristece, enriquece
Escuridão refresca, acalma e essa escuridão me alumia
Esse alguém la longe é você
Que se permitiu
Que me invadiu
Que me pegou
Tenho feito tão pouco, mas pouco intensamente
Ouço-me mais
Uso menos

Cristiane Rosa