São Paulo, SP, Brazil
Mãe, filha, irmã, amiga, atriz. Escrevo meus pensamentos, minhas angustias, meus encantos e desencantos. Interpreto pessoas, formas, vida. Leio de pouco um tudo e decoro textos, rostos, amores. Viajo distante pra dentro e fora de mim. Meu senso de justiça não permite que eu seja boazinha, mas também não sou má. Acredito sempre que existe recuperação em seres realmente humanos. Apaixono e desapaixono com facilidade, mas amo incondicionalmente. Acredito em fantasias, fadas e tudo que possa fazer bem para a alma, mas elevo meus pensamentos, agradecimentos e desejos a Deus. Cristiane Rosa (A Puguinha)

Publicações

domingo, 10 de abril de 2011

VEM AI...

O GRUPO PALHA DE REDE...

... dará continuidade as pesquisas da Cia. Trivolim de Expressões Populares.

Essa emacipação e a vontade de voltar aos palcos com algo surpreendente e enraizado fez com que arriscassemos a participar do VAI 2011 e olha só: CONSEGUIMOS!!! com o Projeto Terra Cafuza que pretende disseminar os valores negros e indígenas brasileiros por meio do espetáculo de dança e música, baseando-se, principalmente, na cultura de comunidades indígenas do entorno.

Elenco:
Anderson Bandieri
Cristiane Demetria
Cristiane Rosa
Danila Araújo
Marli Damasceno
Sabrina Minervina

Agradecimento especial: Cia. Malucômicos de Teatro, Grupo Ruídos de Teatro, Erico Cruz, Ceu Vila Rubi, Ceu Parelheiros, Ceu Cidade Dutra, Ceu Tres Lagos, Familiares e Amigos, Programa Vocacional, Deca Madureira, Eliezer Teixeira e tantos outros que estiveram ao nosso lado nessa nova empreitada e que acreditam no nosso trabalho.

“Por Inteiro

Se me perguntares quem sou,


Te responderei que sou

Meio índio, meio negro

Meio branco, meio preto,

Meio europeu, meio judeu

Meio americano, meio africano

Meio pardo, meio cigano,

Meio cigano, meio parado,

Meio solteiro, meio casado,

Meio namorado, meio cangaceiro,

Meio pacificador, meio guerrilheiro,

Meio noite, meio dia,

Meio sol, meio lua,

Meio teu, meio tua

Meio Cristiano, meio profrano

Meio paulista, meio alagoano,

Meio Eliezer, meio Teixeira,

Meio terra brasileira.

Mas que sou, como muito amor,

Por inteiro...

POVO BRASILEIRO!

ELIEZER TEIXEIRA, Iluminado pelo Povo - Prosa e Cantoria



Blog da Cia. Humbalada: Humbalada ganhou o Fomento!

Blog da Cia. Humbalada: Humbalada ganhou o Fomento!: "Saiu a lista da 18ª edição do Programa de Fomento ao Teatro! E a Cia. Humbalada está dentro!!! Registro do exato momento em que os integrant..."

segunda-feira, 4 de abril de 2011

EU, TU, ELES

Nóis num tem leitura

Nóis num tem terra

Nóis num tem roupa de exibição

Nóis num tem comida de sabor

Nóis num tem dente, mais nóis sabe sorri

Nóis num tem lágrima, porque nóis num tem tempo pra pensá

Nóis já acostumou

E nóis num qué peixe

Nóis qué vara pra pescá

Terra pra prantá

Galinha pra cuzinhá

Nóis tem que te força

A inchada é pesada

E pra tomá água, nóis tem que dá uma bela duma caminhada

Nóis carrega de tudo, até filho morto nas costa

Mais nóis não se acomoda

Nóis sabe recomeçá


Cristiane Rosa

sexta-feira, 1 de abril de 2011

IGUAL À VOCÊ

Dedico esse poema em especial ao Bolsonaro

Eu não posso ser negra
Nem baixa, nem gorda e nem alta
Meu cabelo é feio porque é duro
Não posso ter cabelo liso porque fica ralo
Não posso ser gay
Nem mãe solteira
Nem filho sem pai
Não posso não ter um dedo ou uma perna
Nem fazer mímicas porque não pronuncio nem ouço palavras
Não posso dirigir caminhão porque sou mulher
Nem fazer ballet porque não sou mulher
Não posso me prostituir
Não posso usar óculos porque não tenho orelhas
nem ler um livro porque meus dedos não tocam suas letras
Não posso me deprimir
Nem ser muito feliz
Não posso não saber ler, mesmo tendo um coração grande
E não posso ter um coração grande porque não tenho dinheiro para agradar
Não posso gastar demais porque tem gente que não pode escolher o que comer
Não posso ouvir música de preto porque sou branca
E nem posso ser diretora porque sou preta
Não posso não ter bunda grande
E nos meus seios não podem faltar silicone
Não posso fingir que não escuto porque minhas orelhas são grandes demais
Não posso ser modelo porque não sou anorexa
Não posso beber nem fumar porque faz mal ou é errado
E não posso errar porque não sou humano
Não posso ser humano porque ninguém me aceita do jeito que sou

Eu queria ser como você que deve ser igual a alguém que deve ser diferente de mim.

Cristiane Rosa

MAIS RUÍDOS

Esse ruído que invade rasga!
percorre minha pele arranhando meus instintos
O ruído que rói
Destrói meus sonhos e inibe meus desejos
Chega ser ensurdecedor
mas ninguém enxerga
ele ta em mim
e é pra mim
Esse rído em ganhei de presente no dia do eu 26º aniversário e após 30 anos sendo consumida por este ruído eu me libertei, me encaixotei e eles finalmente silenciaram.

Cristiane Rosa - Texto para o Grupo de Teatro Ruídos

Hora do Planeta 2011 - III

Você já pegou uma fumaça?
Já tentou pará-la
e a chama quente
Já a enfrentou?
Já a menosprezou só porque na vela ela era pequena?
Ja tentou ficar quieta sem ter sono?
Ja tentou fechar os olhos sem vontade?
e esvaziar a mente?
não pensar em nada e se encontrar?
Já tentou?
Já pensou?

Cristiane Rosa

Hora do Planeta 2011 - II

Eu aqui nesse fiasco de luz
me atrevi a pensar, agir e amar
amar algo infinitamente maior que tudo
sentada nesse sol quente
em frente ao espelho onde não me vejo
bebendo algo que não percebo
sentindo o cheiro da energia e purificação
os anjos dormem
ela se queima
na estação a música preto, interpretada por brancos e ouvida por qualquer cor
a sala está vazia
ta escuro
não tem silêncio
e eu aqui
aqui

Cristiane Rosa

Hora do Planeta 2011

Estou conectada com alguém lá longe
Com alguém como eu
Um fiasco de luz mais quente, mais amarela, um teco de azul
Estou conectada comigo mesma
Me invadi
Me permiti
Me apeguei em mim
Solidão aquece, entristece, enriquece
Escuridão refresca, acalma e essa escuridão me alumia
Esse alguém la longe é você
Que se permitiu
Que me invadiu
Que me pegou
Tenho feito tão pouco, mas pouco intensamente
Ouço-me mais
Uso menos

Cristiane Rosa