São Paulo, SP, Brazil
Mãe, filha, irmã, amiga, atriz. Escrevo meus pensamentos, minhas angustias, meus encantos e desencantos. Interpreto pessoas, formas, vida. Leio de pouco um tudo e decoro textos, rostos, amores. Viajo distante pra dentro e fora de mim. Meu senso de justiça não permite que eu seja boazinha, mas também não sou má. Acredito sempre que existe recuperação em seres realmente humanos. Apaixono e desapaixono com facilidade, mas amo incondicionalmente. Acredito em fantasias, fadas e tudo que possa fazer bem para a alma, mas elevo meus pensamentos, agradecimentos e desejos a Deus. Cristiane Rosa (A Puguinha)

Publicações

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A Passagem


O que é a Vida?
Se pra falar da vida, inclusive da qual vemos e vivemos não é fácil imagine falar da morte, da qual não vemos e não entendemos.

Ninguém está preparado para não ver mais.
Estamos acostumados a escolher quem fica e quem sai de nossas vidas.
acostumados a amar e ter que esquecer um amor mas saber que ele está ali
acostumados a sonhar com pessoas que nunca vimos
Mas entender a passagem, se é que existe uma passagem, alguma continuação... ahhh isso não!! Nossa cultura ou egoismo não nos permite desprender de uma pessoa querida, nossa vivência e consciencia não entende, e passa ano e ano e sempre vamos carregar dores que o tempo não destrói que o tempo não ensina... Definitivamente não sabemos nada da vida, nem tão pouco da morte!

Cristiane Rosa

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Lá longe

Essa semana eu perdi a minha avó, na verdade não perdi, apenas vivi o momento em que ela fez a passagem, esse poema foi feito pra ela em 2008.

Eu te vi ali

Sentada bem perto

Distante em seu olhar

Seu mundo mudo

Seu barulho inaudível

Tão ausente quanto presente

Lá estava minha raiz

Pensando quando tudo isso irá passar

Se passar

Tendo certezas das ilusões que são verdadeiras

Cansada em respirar

Respirando sem sentir

Dor, amor, solidão

Ah se eu pudesse...

21h

22h

23h

boa noite vó

Cristiane Rosa
30/08/2008


quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Em sociedades opressivas as camadas mais oprimidas sempre buscam um remédio: a expressão cultural." (Popper Master Fable-RSC)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Eu sou um gado?



Foi assim que eu me senti hoje, não com dúvida mas com a certeza de que estava sendo trasportada como um animal.
Algumas pessoas são tratadas como animais porque agem como tais, mas eu NÃO! Hoje me senti humilhada por pagar tão caro em um trasporte público defasado e ser "enfiada" dentro do vagão por homens-ogros que se divertem com a lei dos mais fortes sobrevivem. Pequena que sou, além de mãos e pés atados, minha respiração também ficou comprometida, não tinha ar ali embaixo e os homens-ogros empurravam e empurravam mais e mais.
Em algum momento você é obrigada a aceitar algum tipo de molestamento (existe isso?) bom não sei se a palavra existe mas a situação sim! a mão na minha bunda ou qualquer outra coisa na qual eu não sabia da onde vinha, se era homen ou mulher.
Agradeci a Deus pelo meu emprego e por usar isso apenas uma vez por semana mas ao olhar em volta, rostos e feiçoes cansadas do descaso, corrupção que tira o dinheiro da benfeitoria e poe no bolso me indignei! ahh como eu queria escrever por folhas e folhas sobre esse sistema precário e medíocre do nosso país. Mas ok... to me sentindo um pouco aliviada por conseguir chegar inteira e reflexiva.

Nenhum animal merece ser transportado dessa forma, os humanos talvez sim!

As imagens falam por si.

Só não dá pra ser omisso

Políticos podres, capitalismo sanguinário e uma geração de omissos!
Quem assistiu a reportagem da Record sobre um casal no Pará que defendia a floresta como sendo sua família e as árvores como filhos, certamente se emocionou com a história de José e Maria. Eles apresentavam a floresta com uma riqueza e um amor imensurável. Denunciavam os madereiros, políticos e toda a raça que vê a floresta derrubada como capital, como dinheiro.
Do outro lado, vemos a corja política, os podres do planalto, os políticos coronéis, com as mãos sujas de sangue, forçarem a aprovação de um novo código que aumentaria ainda mais a pressão dos exploradores sobre as florestas remanescentes.
No dia 24 de maio, o Brasil conheceu essas duas histórias. Pela manhã, os defensores da Floresta, morrem brutalmente em uma emboscada. No mesmo dia, os deputados da vergonha, os covardes, o lixo do país, aprovam o código florestal, passando por cima de todos os brasileiros inconformados.
Quando no plenário, foi anunciado o assassinato desse casal humilde, os deputados ruralistas e seus colegas, vaiaram o pronunciamento, em uma inversão vergonhosa de valores.
O Brasil não deu a mínima. A imprensa mal noticiou. Ninguém se revoltou!!!
Uma morte anunciada durante uma década. Listas de prováveis assassinos encaminhada anualmente. E a justiça vendida do país, se omitiu. Ninguém consegue frear a corja currupta e exploradora, os coronéis, os madeireiros.
Enquanto o país segue indo para o esgoto pela ganância dos seus governantes, o povo, alienado, segue em sua vidinha torpe e egoísta. Com todas as mazelas atuais, seguem para as ruas, para pedir a liberação da Maconha. É lamentável! Como a juventude segue vazia de ideologia e de bandeiras úteis.
Eu não consigo mais aguentar sem vomitar todo o lixo que estamos assistindo. Não dá mais para fazer ações ambientais isoladas e achar que estamos mudando alguma coisa. Plantar algumas míseras árvores, enquanto milhoes delas vêm abaixo sob os olhares permissivos daqueles que deviam coibir. Florestas e os que as defendem, estão tombando, sob vaias e risadas de deboche.
Não dá mais pra "abraçar" a Guarapiranga cantando Guilherme Arantes, sabendo que isso é nada, frente ao abismo vergonhoso que estamos caminhando.
Não consigo mais acreditar que mudaremos alguma coisa, utilizando apenas mensagens de revolta como essa pela internet. Os "poderosos" estão pouco se lixando pra isso.
ONGs e Ambientalistas se degladiando para buscar seu lugar ao sol, buscando sua fatia para o ego, para o bolso, para a notoriedade, enquanto as ideologias se perdem.
Precisamos de uma revolução da moral. Um resgate de valores, uma faxina pública. Precisamos nos envergonhar do quase nada que fazemos, e realizarmos alguma ação real de limpeza de toda essa podridão.
Silvano - Projeto Mais Verde

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Acontece

- Bom dia mamãe
- bom dia bb, se troca pra gente passear
- tá!
- mamãe!, olha o policial prendendo uma criança
- não é uma criança bb, é um traficante
- desse tamanho?
- não! ele na verdade é um MINI traficante, só quando ele crescer vai ser um traficante de verdade
- ah!
- mamãe o policial tá batendo no MINI traficante
- é que ele fez algum coisa errada
- mas quando eu faço uma coisa errada você briga comigo mas não me dá tapa na cara
- é que o policial não sabe educar e ele deve tá nervoso, sai da janela bb
- mamãe porque o policial não prende "em vez" de bater?
- porque ele tá nervoso, já disse! e você vai se trocar senão quem vai apanhar é você!
- mamãe?!
- o que? !!
- o MINI traficante é chefe do policial?
- claro que não! não fala besteira
- mas então porque ele ta pagando o policial?
- que?
- é, olha! muito dinheiro, mais que o papai ganha
- SAI DAÍ AGORA!
- tah! o menino foi preso mesmo
- é que o policial ta cumprindo com a sua função prendendo o menino. Agora vamos passear

Dando a volta no quarteirão....

- mamãe! mamãe!
- o que foi bb?
- olha lá o policial soltando o MINI traficante
- é que o policial ta cumprindo com a sua função soltando o menino
- mas mamãe ele prende lá em cima e solta aqui embaixo?
- É! ...
F I M
(Cristiane Rosa)

O tempo - Mc Yob

NÃO TEM NINGUÉM COM ESSE NOME


Está saindo do forno um experimento a partir da obra "O Riso" de Henri Bergson, da relação do consumo e da solidão humana.

Será um espetáculo solo com Bruno César em cena.

Tatiana Monte e Vanessa Rosa ficam na direção e na preparação corporal.
Faremos 4 ensaios abertos em parceria com o projeto Toda Terça Tem Espetáculo do Programa Vocacional.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Meninas

Menina crescendo
mulher virou

do útero vazio
no ventre hospedou
um ser
dádiva
ternura

hoje menina crescendo
mulher ainda não é
espera

coração aperta quando menina pede pra
voar
liberta
se desespera

entre lágrimas e risos
menina mulher

menina menina
vivem, crescem, amam-se
cia, solidão
aperto de mão

vou te levar
mico
vou te buscar
mico


menos
mãe!

"Cristiane Rosa"

domingo, 10 de abril de 2011

VEM AI...

O GRUPO PALHA DE REDE...

... dará continuidade as pesquisas da Cia. Trivolim de Expressões Populares.

Essa emacipação e a vontade de voltar aos palcos com algo surpreendente e enraizado fez com que arriscassemos a participar do VAI 2011 e olha só: CONSEGUIMOS!!! com o Projeto Terra Cafuza que pretende disseminar os valores negros e indígenas brasileiros por meio do espetáculo de dança e música, baseando-se, principalmente, na cultura de comunidades indígenas do entorno.

Elenco:
Anderson Bandieri
Cristiane Demetria
Cristiane Rosa
Danila Araújo
Marli Damasceno
Sabrina Minervina

Agradecimento especial: Cia. Malucômicos de Teatro, Grupo Ruídos de Teatro, Erico Cruz, Ceu Vila Rubi, Ceu Parelheiros, Ceu Cidade Dutra, Ceu Tres Lagos, Familiares e Amigos, Programa Vocacional, Deca Madureira, Eliezer Teixeira e tantos outros que estiveram ao nosso lado nessa nova empreitada e que acreditam no nosso trabalho.

“Por Inteiro

Se me perguntares quem sou,


Te responderei que sou

Meio índio, meio negro

Meio branco, meio preto,

Meio europeu, meio judeu

Meio americano, meio africano

Meio pardo, meio cigano,

Meio cigano, meio parado,

Meio solteiro, meio casado,

Meio namorado, meio cangaceiro,

Meio pacificador, meio guerrilheiro,

Meio noite, meio dia,

Meio sol, meio lua,

Meio teu, meio tua

Meio Cristiano, meio profrano

Meio paulista, meio alagoano,

Meio Eliezer, meio Teixeira,

Meio terra brasileira.

Mas que sou, como muito amor,

Por inteiro...

POVO BRASILEIRO!

ELIEZER TEIXEIRA, Iluminado pelo Povo - Prosa e Cantoria



Blog da Cia. Humbalada: Humbalada ganhou o Fomento!

Blog da Cia. Humbalada: Humbalada ganhou o Fomento!: "Saiu a lista da 18ª edição do Programa de Fomento ao Teatro! E a Cia. Humbalada está dentro!!! Registro do exato momento em que os integrant..."

segunda-feira, 4 de abril de 2011

EU, TU, ELES

Nóis num tem leitura

Nóis num tem terra

Nóis num tem roupa de exibição

Nóis num tem comida de sabor

Nóis num tem dente, mais nóis sabe sorri

Nóis num tem lágrima, porque nóis num tem tempo pra pensá

Nóis já acostumou

E nóis num qué peixe

Nóis qué vara pra pescá

Terra pra prantá

Galinha pra cuzinhá

Nóis tem que te força

A inchada é pesada

E pra tomá água, nóis tem que dá uma bela duma caminhada

Nóis carrega de tudo, até filho morto nas costa

Mais nóis não se acomoda

Nóis sabe recomeçá


Cristiane Rosa

sexta-feira, 1 de abril de 2011

IGUAL À VOCÊ

Dedico esse poema em especial ao Bolsonaro

Eu não posso ser negra
Nem baixa, nem gorda e nem alta
Meu cabelo é feio porque é duro
Não posso ter cabelo liso porque fica ralo
Não posso ser gay
Nem mãe solteira
Nem filho sem pai
Não posso não ter um dedo ou uma perna
Nem fazer mímicas porque não pronuncio nem ouço palavras
Não posso dirigir caminhão porque sou mulher
Nem fazer ballet porque não sou mulher
Não posso me prostituir
Não posso usar óculos porque não tenho orelhas
nem ler um livro porque meus dedos não tocam suas letras
Não posso me deprimir
Nem ser muito feliz
Não posso não saber ler, mesmo tendo um coração grande
E não posso ter um coração grande porque não tenho dinheiro para agradar
Não posso gastar demais porque tem gente que não pode escolher o que comer
Não posso ouvir música de preto porque sou branca
E nem posso ser diretora porque sou preta
Não posso não ter bunda grande
E nos meus seios não podem faltar silicone
Não posso fingir que não escuto porque minhas orelhas são grandes demais
Não posso ser modelo porque não sou anorexa
Não posso beber nem fumar porque faz mal ou é errado
E não posso errar porque não sou humano
Não posso ser humano porque ninguém me aceita do jeito que sou

Eu queria ser como você que deve ser igual a alguém que deve ser diferente de mim.

Cristiane Rosa

MAIS RUÍDOS

Esse ruído que invade rasga!
percorre minha pele arranhando meus instintos
O ruído que rói
Destrói meus sonhos e inibe meus desejos
Chega ser ensurdecedor
mas ninguém enxerga
ele ta em mim
e é pra mim
Esse rído em ganhei de presente no dia do eu 26º aniversário e após 30 anos sendo consumida por este ruído eu me libertei, me encaixotei e eles finalmente silenciaram.

Cristiane Rosa - Texto para o Grupo de Teatro Ruídos

Hora do Planeta 2011 - III

Você já pegou uma fumaça?
Já tentou pará-la
e a chama quente
Já a enfrentou?
Já a menosprezou só porque na vela ela era pequena?
Ja tentou ficar quieta sem ter sono?
Ja tentou fechar os olhos sem vontade?
e esvaziar a mente?
não pensar em nada e se encontrar?
Já tentou?
Já pensou?

Cristiane Rosa

Hora do Planeta 2011 - II

Eu aqui nesse fiasco de luz
me atrevi a pensar, agir e amar
amar algo infinitamente maior que tudo
sentada nesse sol quente
em frente ao espelho onde não me vejo
bebendo algo que não percebo
sentindo o cheiro da energia e purificação
os anjos dormem
ela se queima
na estação a música preto, interpretada por brancos e ouvida por qualquer cor
a sala está vazia
ta escuro
não tem silêncio
e eu aqui
aqui

Cristiane Rosa

Hora do Planeta 2011

Estou conectada com alguém lá longe
Com alguém como eu
Um fiasco de luz mais quente, mais amarela, um teco de azul
Estou conectada comigo mesma
Me invadi
Me permiti
Me apeguei em mim
Solidão aquece, entristece, enriquece
Escuridão refresca, acalma e essa escuridão me alumia
Esse alguém la longe é você
Que se permitiu
Que me invadiu
Que me pegou
Tenho feito tão pouco, mas pouco intensamente
Ouço-me mais
Uso menos

Cristiane Rosa

sábado, 5 de março de 2011

Ser mulher

Ser mulher é abrir as pernas sem desejo
Sem ter medo
Ser mulher é abrir as pernas pra parir
Pra ver partir
Ser mulher é ter força não bruta
É ser mãe ou puta
Ser mulher é chorar por dentro
derramar sangue
É morrer em seu lamento
Ser mulher é gritar pra ser ouvida
Sorrir pra não ser esquecida
Gozar pra se sentir viva
Ser mulher é ler Clarice Lispector
É ler receita
Escrever diário
É ser guerreira
É ser parteira
Ser mulher é olhar o horizonte
É passar roupas em monte
Ser mulher é querer casar
É querer viajar só
É ter milhões de amigas
É morrer avó!

Cristiane Rosa - Verão/2010

Espalhadas estão

quendo, fondo
ino, vimos
tantas com tantos
tantos poucos
aos montes
nos montes

sul
real
no oeste
o por
centro nascente

la fora crucial
e quando o crepúsculo a vistar
brilha enquanto vive
na areia quantas estrelas
no vento as palavras

soltas
ino
vino
fondo

E quem disse que não pode?
Sentimentos não são incorretos
errado é não sentir
e não falar

correto é despir
sem pudor
cuspir
sem rancor

espalhadas estão
as palavras com grãos de areia
no vento do sul
real do sopro....

Me diz o que é certo
Te mostro o errado

Cristiane Rosa-Outono 2008