São Paulo, SP, Brazil
Mãe, filha, irmã, amiga, atriz. Escrevo meus pensamentos, minhas angustias, meus encantos e desencantos. Interpreto pessoas, formas, vida. Leio de pouco um tudo e decoro textos, rostos, amores. Viajo distante pra dentro e fora de mim. Meu senso de justiça não permite que eu seja boazinha, mas também não sou má. Acredito sempre que existe recuperação em seres realmente humanos. Apaixono e desapaixono com facilidade, mas amo incondicionalmente. Acredito em fantasias, fadas e tudo que possa fazer bem para a alma, mas elevo meus pensamentos, agradecimentos e desejos a Deus. Cristiane Rosa (A Puguinha)

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domingo, 25 de julho de 2010

NO GRAJAÚ É ASSIM

Aqui no Grajaú é assim
Breja, calçada e Belmira Marim
Nela há de tudo
Citroen, Busão, chinelo e burro
Tem playboysada desfilado
Onde era horta na minha infância
Hoje é favela com muita criança
Bom mesmo era ir pra balsa
De bike ou a pé
Na subida do Eliana canseira
Na descida pra balsa zoeira
Pinga com abacaxi
Orelhão de ficha
Tribo de Jah tocava no rádio de pilha, na barraca do coco.
E na volta o sufoco
Peixe no balde e vara de pescar pra fora da janela
A galinhada na gaiola gritava
E o busão quase tombava
E o hip hop que nunca parou ecoava
Ouvia o Pepeu dizendo:
Rute, Carolina, Bete e Josefina
Só que hoje tem Oficina da Rima
Mas a realidade sempre foi um fardo
É que na esquina tinha um morto e o IML chegava sempre 10 horas atrasado.
Cresci correndo em cima dos muros
Era sempre bandido, polícia não queria ser não
Ta na alma aventureira querer ser ladrão
Aventurar-se com a realidade
Mas a única coisa que eu roubei até hoje
Foi beijo na chuva de um garoto corcunda
Aqui a gente escolhe
Ou você brisa e aprende
Ou você brisa e se arrepende
Tem artista se dedicando
As vielas estão coloridas
E os manos seguem cantando
Aqui no Grajaú é assim
A gente não anda na Belmira Marim
É muito morro atrás dos muros
Mas sabe que não é o fim
É só um pedaço esquecido por alguém
E na curva mais gelada de Sampa
A Neblina esconde o dia seguinte dos migrantes
Mas a comunidade se vira
Tem samba com arte, hip hop com sabedoria
E quando eu sento na calçada pra tomar a minha breja
Vejo minha filha percorrer poucos dos meus passos
Porque tudo ta mudado
Hoje é funk no último volume
Pra mulherada rebolar como de costume
Mas uma coisa não mudou
O amor pelo que restou
E o que resta muito me interessa
Aqui no Grajaú é assim

Cristiane Rosa

7 comentários:

  1. orra. mto legal essa poesia. mto real! sou grajauense e sei o que diz!

    vou copiar e republicar em nosso blog.

    abraço

    thiago

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  2. Fala Thiago... fique a vontade para copiar e propagar.
    Bjo
    Cristiane Rosa

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  3. Eu que fui criado e nascido no BNH, voê conseguiu transparecer e passar o que é pelo menos um pouco de lá, e me ví em varias partes desse texto.

    Tá bem loco, parabéns

    Já não moro mais aí, mas morei vinte poucos anos, mas é bem naquelas mesmo, moro em outro lugar, mas não saio do Grajau.

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  4. Nossa muito massa a sua poesia eu adorei, consegui me recordar de coisas do passado que ja estavam quase esquecidas muito 10 mesmo, nosso Grajaú será sempre aquele Grajaú velho sem porteira como diz a musica adoro esse lugar...muito legal mesmo!!
    Bjs Dani

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  5. PARABÉNS ÓTIMO POST ! NÃO PARE POR AÍ QUE SEJA UM GRANDE FONTE INSPIRADORA .....
    ESCREVE MAIS E COLOCA NO FACE TB !

    CLEBER O. DANTAS

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  6. Voce escreveu com o coração, se pintasse vc escrevendo, estaria com uma pena na mão. Muito bom seu texto, realmente so quem mora no Grajaú enxerga o que vc escreveu de olhos fechados.

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  7. Perfeito, melhor descrito impossivel, quem nasceu e cresceu aqui no Grajau sabe exatamente de tudo que vc disse, parabens!!

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